quarta-feira, julho 05, 2006

Uma nova era começou

Escrevo este post antes do jogo com a França porque não interessa se ganhamos ou não para sentir o que sinto. Não tem a ver com ganhar títulos, mas com a expectativa de os poder ganhar, ou seja, acreditar. Até à 6 anos atrás o normal era ficarmos pela fase de grupos do campeonato da europa de futebol e ir ao campeonato do mundo era uma miragem. Esse World Cup era “só para os grandes, e nós não estamos lá”, lembram-se de pensar assim? Eu tinha de ver os "Jogos sem fronteiras" para ouvir o Eládio Clímaco a festejar termos ganho alguma coisa, lá ganhávamos muitas vezes. Já no futebol era o contrário: nunca íamos ao mundial e era normal, já estávamos conscientes disso. Agora não! Agora entramos num campeonato e somos temidos, ganhamos e sabemos que é possível não só estar lá como chegar longe. Entrar num campeonato da europa ou do mundo já não é uma miragem, é um dado adquirido. Se não entramos já não é normal, é uma quase catástrofe e isso é bom, é sinal que somos grandes.

Odiados mas orgulhosos

Esta epígrafe nada tem a ver com extrema-direita, mas sim com o estado de espírito em que nos devemos sentir. Holanda e Inglaterra já não nos podem ver a frente. Agora é a França com o seu porta-voz Gallas que nos acusa de anti-desportivismo. Pois quanto mais nos atacam mais nos motivam, já deviam ter percebido isso. Saíram caro à Inglaterra os ataques fora das quatro linhas que nos fizeram. E agora com as declarações do jogador francês só temos que nos sentir com vontade de lhes ganhar e mostrar o que valemos.

A beleza do futebol

Futebol é como um filme: tem personagens, um encenador, tem o seu clímax em um ou mais momentos, e um final esperado ou não, tem publico e infelizmente paga-se bem mais para um bilhete para um jogo do que para um cinema. A arrogância alemã ficou pelo caminho e passou a experiente Itália que esperamos encontrar na final. Não foi um jogo super agradável que se viu, mas os 2 minutos finais mostram o que é o futebol, é espectáculo e emoção. Num minuto estávamos preparados para ver penaltis e noutro já a Itália dava dois a zero à equipa anfitriã. Não há telenovela ou filme de Hollywood que tenha um final mais inesperado que isto. Foi um jogo que só pelo final já valeu a pena ver, fiquei satisfeito, e qualquer pessoa que goste de futebol deve ter ficado com um sorriso quando o jogo acabou, não pelo resultado mas sim porque na sua cabeça passou o pensamento “desta vez apanharam-me…” pois ninguém devia estar a espera de ver o que viu e é isso o mais belo deste desporto.